13 de out de 2016

O momento que senti que não dava conta

Estou reabrindo este diário depressivo para contar que estou novamente sob cuidados médicos, remédios e observação. 

As pessoas não perceberam, mas eu surtei. Há uma semana eu perdi o controle de meus sentimentos e fui acometida de uma profunda vontade de desisitir. Os outros sintomas de depressão vieram antes, a sensação de impotễncia, a falta de vontade de sair da cama, irritação com qualquer pessoa que sugerisse minimamente que eu deveria "me animar". As ausências, do meu trabalho, dos relacionamentos, dos telefonemas não dados e dos eventos que não fui. Me isolei e dei mil desculpas a todos os amigos para não sair de casa. 

Desenvolvi uma dermatite séria no couro cabeludo, muitas aftas na boca. Estou vivendo uma crise com a balança como nunca antes na história desse corpo que habito.  Insônia e sono leve e entrecortado de pesadelos e pensamentos insistentes, essas assombrações da noite que não te permitem nem descançar e nem ter um dia produtivo. Dormir na hora errada, comer errado, na hora errada e na quantidade errada.

Me perguntaram em que momento que senti que não dava conta mais. Pensei sobre isso por alguns dias e tenho umas pistas do que é identificar que está surtando e que precisa de ajuda. Em geral, eu finjo muito bem para as pessoas ao meu redor, dou risada da minha desgraça e sempre estou simpática e solícita, mas por dentro me remoo de culpa por cultivar o sentimento de que ninguém se importa comigo, me sinto ingrata e tento sufocar qualquer pensamento neste sentido. Nem dou espaço para que se preocupem por ser autônoma e autosuficiente demais e por estar sempre na posição de quem serve e não de quem é servido o tempo todo. Mas esse sentimento de não importância é parte desse problema de auto-estima que vai minando tudo, gota a gota, vai levando embora minha confiança em meu potencial e nas pessoas. Isso baixa a auto-estima e leva a crer que nada que eu possa fazer irá resultar em algo bom e que nada que eu já tenha feito restou ou solidificou. Em algum momento, quando fui levada a falar disso para uma pessoa que gosto muito mas não convivo diariamente, o dique se rompeu, fui inundada com essas emoções negativas e todas saíram em formas de lágrimas e não mais de palavras que eu pudesse articular. 

Perder o controle da expressão de sentimentos é para mim, a controladora perfeccionista, o pior dos mundos. Sempre que acontece acaba trazendo muita lama, muito galho, muita destruição. Passam tantas coisas pela mente em um prazo tão curto que não se consegue articular respostas a quem pergunta: "o que houve?". Nesse momento, em que eu quero fugir, sumir ou morrer pra não ter que responder, mas ao mesmo tempo, tento responder o que houve e não tenho como justificar, afinal, não houve nada, tudo está como há 5 minutos, mas eu sinto essa tristeza arrebatadora sem motivos aparentes e mesmo sem motivos que eu consiga sinalizar. Nesse momento, só quero chorar e me esconder. É aí, que percebo que preciso de ajuda.