20 de jun de 2010

Escrever

Quem nunca sonhou em ser lido post mortem que atire a primeira pedra. Quando era criança lia muito e lia muito lixo. Lia qualquer porcaria que caísse em minhas mãos... de vidro de xampú a Cook. 

Aí, fui ficando adolescente e lendo coisas pouco mais produtivas. Resolvi que podia escrever, que quando morresse, alguém teria um baú cheio de escritos e fariam uma exposição de meus manuscritos para a posteridade, só tinha um problema: minha letra era horrível. 

Precisava a todo custo ter pelo menos uma letra legível, como entraria para a posteridade se ninguém conseguia ler o que eu escrevia? Como conseguiriam decifrar meus insigths geniais se nem poderiam distinguir o de a? Mas não abandonei a idéia de ser lida na posteridade, ainda não, havia uma escapatória. Adotei a ideia singela de que poderia datilografar meus escritos...pedi a minha mãe uma máquina de escrever Olivetti.

Mas tinha outro percauço nesse caminho. Aquela máquina fazia muito barulho, não dava pra escrever à noite, na calada, como escrevia em meus diários. Isso somado a fascinação que a máquina exercia na minha mãe que ao ouvir as teclas corria ver se eu estava datilografando certo, não rendeu muitos frutos, um ou dois poemas copiados, daqueles de se exclamar na tarde de sábado, no almoço de família para ganhar elogios das tias... só.

Então, os diários ainda eram as páginas mais incríveis e que ficariam para a posteridade, mas era simplesmente um tédio escrever neles todos os dias. Quem faz diários com enormes emoções todos os dias? sabe daqueles que a gente lê em estorietas de aventura da juventude? Pois é, vi então que os diários escritos nas estórias eram invenções de um escritor muito astuto e vivido. Decidi que teria que viver um pouco mais pra deixar de ter uma vida monótona.

A prática de escrever já foi uma necessidade de registro, tornou-se arte, criação e não é mais necessariamente associada à prática de contar verdades, portanto, os diários podem ficar mais emocionantes e vibrantes com um bom contador de estórias do outro lado. Ainda mais se for do outro lado da tela.

 Prazer teclado, sou eu, uma inventora de vida!